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Bhagavad Gita: 15. O Ser Supremo

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A Criação E Como Um Arvore, Criada Pelos Poderes De Maya

O Senhor Krishna disse: O universo (ou o corpo humano) pode ser comparado com uma árvore eterna, que tem a sua origem (raízes) no Ser Supremo, e cujos seus galhos descem do cosmos. Os hinos védicos são as folhas desta árvore. Aquele que entende esta árvore é o conhecedor dos Vedas (15.010).

Os ramos desta árvore eterna espalham-se por todo o cosmos. A árvore é alimentada pela energia na natureza material; os sentidos de prazer são seus brotos; e suas raízes são o ego, e os desejos que se estendem ao mundo humano causam o cativeiro kármico (15.02).

O corpo humano, um universo microcósmico (ou o mundo), pode ser comparado como uma pequenina árvore sem fim. O karma é a semente; os incontáveis desejos são suas raízes; os cinco elementos básicos são seus galhos principais; e os dez órgãos da ação e da percepção são seus sub-ramos. Os três modos da natureza material provêm o alimento, e os prazeres dos sentidos são os brotos. Esta árvore está sempre mudando, mas é eterna, sem começo e nem fim. Assim como as folhas protegem a árvore, os rituais protegem e perpetuam está árvore. Aquele que verdadeiramente compreende esta árvore maravilhoso, sua origem (ou raiz), sua natureza e trabalho, é o conhecedor dos Vedas no sentido verdadeiro.

Dois aspectos do Ser Eterno – o divino controlador e o controlado (a entidade viva, ou alma individual) – fazem seus ninhos e residem na mesma árvore, como uma parte do drama cósmico; virtude e vício são suas flores gloriosas; prazer e dor são seus amargos e doces frutos. As entidades vivas são como maravilhosos pássaros de várias plumagens. Não há dois pássaros idênticos. A criação é em si maravilhosa. E o Criador é mais maravilhoso e inconcebível.

Como cortar a árvore do apego, e alcançar a salvação, pegando refúgio em deus.

O começo, o fim, ou a forma real desta árvore, não são perceptíveis na Terra. Tendo cortado as raízes firmes – os desejos – desta árvore por meio do machado do auto conhecimento e desapego, vermos a Morada Suprema, alcançando-se o local de onde nunca mais se volta a este

mundo mortal novamente. Deve-se sempre pensar: “Nesta completa pessoa primordial eu alcanço refúgio, do qual esta primordial manifestação sai” (15.03-04).

A criação é cíclica, sem começo e fim. Ela está sempre mudando e não tem existência ou forma real. Deve-se afiar o machado do conhecimento metafísico por sobre a pedra da prática espiritual, cortando o sentimento de separação entre a entidade viva e o Senhor, participando alegremente do drama da vida, deixando-se para trás as sombras do passado, dos prazeres e das tristezas. E vivendo neste mundo de forma completamente livre do ego e dos desejos. Quando os apegos são afastados, um atitude desapaixonada toma lugar, á qual é um pré-requisito para o progresso espiritual.

O sábio alcança a meta eterna, estando livre do orgulho e da ilusão, e conquistando o mal do apego; residindo constantemente no Ser Supremo, tendo toda a luxúria calada, e estando livre das dualidades do prazer e da dor (15.05).

Esta Minha Suprema morada não é iluminada pelo sol, nem pela lua, nem pelo fogo. Tendo A alcançado, as pessoas adquirem a liberação permanente (mukti), e não voltam para este mundo temporário (15.06).

O Ser Supremo é em Si mesmo luminoso, não sendo iluminado por qualquer outra origem. Ele ilumina o sol e a lua, como uma lâmpada luminosa ilumina os outros objetos (DB 7.32.14). O Ser Supremo existe antes que o sol e a lua; e o fogo chega dentro da existência durante a criação, e irá existir mesmo após tudo dissolver-se dentro na natureza imanifesta, durante a completa dissolução.

A Alma Incorporada É O Desfrutador

A alma individual (jiva, jivatma) no corpo das entidades vivas é parte integral do Espírito universal, ou consciência. A alma individual, associa-se com as seis sensórias faculdades de percepção – incluindo a mente – e as ativam (15.07).

Em essência, o Espírito é chamado o Ser Eterno, ou “Brahman”, em sânscrito. O Espírito é a verdadeira natureza do Ser Supremo (ParaBrahm), e, portanto, é também chamado a parte integral do Ser Supremo. O mesmo espírito é chamado alma individual, entidade viva, Jiva,

alma, e Jivatma, nos corpos das entidades vivas. As diferenças entre Espírito, e a alma individual, são devidas às limitações adjuntas – o corpo e a mente – assim como a ilusão, que engloba todo o espaço, é diferente do espaço ilimitado.

Assim como o ar carrega o aroma das flores, similarmente, a alma individual carrega as seis faculdades dos sentidos do corpo físico, que são descartadas durante a morte, para um novo corpo adquirido na reencarnação (veja, também, 2.13) (15.08).

A alma individual recebe um corpo sutil – as seis faculdades sensoriais da percepção: intelecto ou ego, e as cinco forças vitais – de um corpo físico para outro após a morte, assim como o vento tira a poeira de um lugar para outro. O vento não é afetado nem atingido pela associação como a poeira, do mesmo modo que a alma individual não é afetada ou atingida pela associação com o corpo (MB 12.211.13-14). O corpo físico está limitado no espaço e no tempo, mas os corpos sutis são ilimitados e a tudo penetram. O corpo sutil carrega os bons e maus karmas individuais para uma próxima vida, até que seja totalmente exaurido. Quando todos os resquícios de desejos são erradicados após o despertar do auto-conhecimento, o corpo físico não volta a existir mais, e a compreensão do corpo sutil firma-se por sobre a mente. O corpo astral é uma duplicata exata do corpo físico. Os seres no mundo astral são mais avançados na arte, tecnologia e cultura. Eles pegam um corpo físico para aprimorar-se e elevar a categoria do mundo físico. Hariharananda Giri disse: “Não se pode perceber, conceber, e realizar Deus se não procurarmos o invisível corpo sutil.

Durante o estado de vigília, o corpo físico, a mente, o intelecto, e o ego, estão ativos. Durante o sono, a alma individual temporariamente cria um mundo de sonho, e vaga como num corpo de sonho, sem deixar o corpo físico. No sono profundo. A alma individual descansa inteiramente no Ser Eterno (Espírito), sem ser perturbada pela mente e pelo intelecto. O Ser Supremo, a Consciência Universal, toma conta de nós como uma testemunha durante os três estágios – vigília, sonho e sono profundo. A entidade viva deixa um corpo físico e adquire outro corpo após a morte. A entidade viva amarra-se ou sofre, então, tenta libertar-se pela descoberta da sua real natureza. A reencarnação permite que a entidade viva troque seu veículo, o corpo físico, durante a sua longa e difícil jornada ao Ser Supremo. A alma individual adquire diferentes corpos físicos até que todo o Karma seja extinto; após o que, a meta de alcançar o Ser Supremo, é alcançada.

Diz-se que o Ser Supremo veste o véu da ilusão, quando se torna uma alma individual, pegando a forma humana e outras para realizar o drama cósmico, do qual o escritor, produtor, diretor e todos os atores, bem como a audiência, são os mesmos. O Senhor realizar, brinca e se diverte com a Sua própria criação. Nossos problemas desaparecem se nós mantivermos a mente que nós somos apenas participantes desta brincadeira e nuca levarmos as coisas para a esfera pessoal. Para fazer vistas a ordem cósmica, nós devemos deslocar nossa mente para o jogo. A ciência trata com o jogo cósmico; a espiritualidade trata com o Jogador cósmico, com um entendimento particular pelo jogador.

A entidade viva diverte-se com os prazeres usando as seis faculdades dos sentidos, ouvindo, tocando, vendo, saboreando, cheirando e com a mente. O ignorante não pode perceber a partida da entidade viva do corpo físico, nem sua permanência no corpo, e diverte-se com os prazeres dos sentidos pela associação com o corpo material. Mas aqueles que possuem seus olhos no Auto-conhecimento, podem ver isto (15.09-10).

Os sentidos comum perdem seu sabor pelo desfruto material quando eles desenvolvem o bom gosto pelo néctar da bem-aventurança espiritual. A obtenção da bem-aventurança espiritual é a verdadeira realização daquele que deseja a gratificação dos sentidos. Uma alma purificada irá se abster de fazer coisas erradas que surgem de alguma coisa residual dos desejos dos prazeres sensuais sutis.

Os yogis, aspirando por perfeição, contemplam a entidade viva permanente em suas consciências internas, mas, o ignorante, cuja a psique interna não é pura, embora se esforçando, não podem Me perceber (15.11).

O Espirito E A Essência De Tudo

Saiba que a energia luminosa do Sol que ilumina o mundo todo, e a da Lua, bem como a do fogo, vem de Mim (veja, também, 13.17 e 15.06) (15.12)

A luz do sol e um reflexo da Sua radiação (RV 10.07.030). Os conhecedores do Ser Supremo visualizam-nO por toda a parte – em si mesmos, em todos os seres humanos, e em todo o universo – como o grupo supremo de luzes, o qual tem sua origem no mundo visível, e o qual brilha como a luz do dia que a tudo penetra (ChU 3.17.07). O mundo e seus objetos são apenas fotos feitas das sombras e luzes, espalhados por sobre a tela do filme cósmico (Yogananda). O Corão diz: “Allah é a luz dos céus e da Terra (Surah 24;35).

A sagrada luz eterna tem a forma de um gigantesco brilho, de um feixe de luzes de energia brilhante. Ela é a luz do Ser Supremo, que está na luz perene, e que todos os corpos luminosos das galáxias, assim como o sol, a luz, e as estrelas, possuem. Ela é a Sua luz que está na madeira, lâmpadas, velas, e a energia em todas as entidades vivas. Sua luz está por detrás de todas as luzes e é a origem de toda a energia no universo. Sem o pode do Ser Supremo, o fogo é incapaz de queimar uma palha de grama. Esta luz do Ser Supremo não pode ser concretizada e entendida a

menos que se tenha a mente completamente tranqüila e fortalecida, purificado o intelecto, e desenvolvido o poder da vontade e da visualização. Devemos, também, ser fortes para não nos abalarmos mentalmente quando se experenciar a luz de todas as luzes no transe.

Assim como o espectro completo da luz do sol não é visível para o olho humano sem um prisma, de modo semelhante, não podemos ver a luz do Ser Supremo sem a graça de Deus, e os escritos das escrituras. Os yogis que tem sintonizado suas consciência com a consciência suprema podem ver a luz eterna no transe (meditação). O universo inteiro é sustentado pela energia do Ser Supremo, e reflete a Sua glória.

Penetrando na Terra, Eu suporto todos os seres com Minha energia. Transformando a energia vital da lua, Eu alimento todas as plantas (15.13).

Transformando o fogo digestivo, Eu mantenho o corpo de todas os seres vivos. Unindo com o sopro vital, ou bioimpulsos, Eu digiro todo o tipo de alimento (15.14).

E Eu estou sentado na psique interior de todos os seres. Memória, auto-conhecimento, remoção das dúvidas, e das falsas noções sobre Deus, vêm de Mim. Eu sou, na verdade, o que é para ser conhecido pelo estudo de todos os Vedas. Eu sou, realmente, o autor bem como o estudante dos Vedas (Veja, também, 6.39) (15.15).

O Ser Supremo é a origem de todas as escrituras (BS 1.01.03). O Senhor mora na psique interior (ou o coração causal), como consciência em todos os seres – não no coração físico do corpo, como comumente é mal entendido.

O que é o espírito supremo, espirito e a alma individual?

Há duas entidades no cosmos: os temporais e mutáveis seres, e o eterno e imutável Ser Eterno (Espírito). Todas as criaturas criadas estão sujeitas a mudanças, mas o Espírito não muda (15.16).

Dois aspectos da manifestação divina – seres temporais e o Ser Eterno (Espírito) – são descritos aqui. A criação inteira – incluindo o Senhor Brahmaa (a força criativa), todos os controladores celestes, as quatorze esferas planetárias, são abatidos como uma folha de grama – sendo expansões dos seres temporários. O Espírito é a Consciência, a causa de todas as causas, do qual todos os seres temporários, natureza material, e o imenso cosmos, surgem, e por Ele são sustentados, e dentro do qual eles voltam a dissolver-se sempre. Os seres temporários e o

Espírito são chamados de criação e Criador nos versos 13.01-020, e de ventre e semente dada pelo Pai nos versos 14.03-04. O Ser Supremo é tanto os seres temporários como o Espírito eterno, e é chamado de Realidade Absoluta, nas escrituras e nos seguintes versos:

O Ser Supremo é tanto os seres temporários como Ser Eterno. Ele é também chamado de Realidade Absoltua, que sustenta tanto o que é temporário como o Eterno que a tudo penetra (15.17).

Porque Eu, o Ser Supremo, sou tanto o temporário como o eterno; então, Eu sou conhecido neste mundo e nas escrituras como o Ser Supremo (Realidade Absoluta, Verdade, Superalma (15.18).

Basicamente, existem dois diferentes aspectos (ou níveis) de existência – seres temporários (também chamados de Almas Divinas, Seres Divinos, seres Divinos Temporários, Deva, forças celestes, anjos guardiões), e o Ser Eterno (Espírito, Atma, Brahm) – da Uma e mesma Realidade Absoluta, conhecida como Ser Supremo. A invisível, imutável e perene entidade é chamada de Ser Eterno. Os seres temporários não expansões do Ser Eterno no mundo material. A criação inteira está sempre mudando e trocando, e é também chamada de temporária. Tanto o temporário como o Seres Eternos são expansões do ser Supremo. O Ser Supremo – a base do que é temporário e eterno – é o mais alto, ou o Absoluto, que é referido por vários nomes. Os aspectos pessoais do Absoluto são chamados por nomes como Krishna, Mãe, Pai e Allah, etc.

O sábio que verdadeiramente Me entende como o Ser Supremo, conhece tudo e Me adora de todo o coração, Ó Arjuna (veja, também, 7.14; 14.26 e 18.66) (15.19).

Assim, eu expliquei a ciência mais secreta e transcendental do Absoluto. Tendo entendido isso, a pessoa se torna iluminada, todas as suas obrigações são efetuadas, e a meta da vida humana é alcançada, Ó Arjuna (15.20).