Bhagavad Gita: 6. Caminho Da Meditação


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Um Karmayogi É Um Renunciante

O Senhor Krishna disse: aquele que realiza as obrigações prescritas, sem procurar os seus frutos para o gozo pessoal, é tanto um renunciante como um Karmayogi. Não nos tornamos renunciantes pela luz artificial do fogo (de sacrifícios), bem como não nos tornamos um yogi simplesmente abstendo-nos do trabalho (6.01).

Ó Arjuna, renúncia (Sannyasa) é o mesmo que Karmayoga. Porque, não se torna um Karmayogi quem não renunciou ao motivo egoísta por detrás de uma ação (6.02). Veja, também, 5.01, 05; 6.01 e 18.02.

Uma Definição De Yoga

Para o sábio que procura alcançar o yoga da meditação, ou equilíbrio da mente, diz-se que Karmayoga é o meio. Para aquele que realizou o yoga, o equilíbrio torna-se um meio da auto-realização. Diz-se que uma pessoa alcançou a perfeição yóguica quando ela não deseja prazeres sexuais ou apegos pelos frutos do trabalho, e renunciou a todos os motivos pessoais egoístas (6.03-04).

A perfeição do Yoga pode ser alcançada somente quando alguém faz todas as atividades para a satisfação de Deus. Karmayoga, ou trabalho desapegado, sem egoísmo, produz a quietude da mente. Quando se realiza a ação, como um assunto de responsabilidade sem qualquer motivo egoísmo, a mente não é perturbada pelo medo do fracasso; ela torna-se tranqüila, e se alcança a perfeição yógica, por intermédio da meditação. A tranqüilidade da mente, necessária para a auto-realização, chega depois de se abandonar os desejos pessoais e os motivos egoístas. O egoísmo é a causa-raiz de outros desejos impuros da mente. A mente sem desejo torna-se pacífica. Deste modo, o Karmayoga é recomendado para as pessoas que desejam o sucesso no yoga da meditação. A perfeição na meditação resulta em controle sobre os sentidos, trazendo tranqüilidade da mente que, no final das contas, conduz para a realização de Deus.

A Mente E O Melhor Amigo Assim Como O Mais Perverso Inimigo

Alguém deve elevar-se – não degradar-se – através de sua própria mente. A mente é amiga ou inimiga de alguém. A mente é amiga para aqueles que possuem controle por sobre ela, e a mente atua como um inimigo para aqueles não a controlam (6.050-06).

Não há inimigo outro do que uma mente descontrolada neste mundo (BP 7.08.10). Portanto, deve-se primeiro tentar controlar e conquistar este inimigo pela prática regular da mediação, com firme determinação e esforço. Todas as práticas espirituais são dirigidas por intermédio da conquista da mente. Guru Nanak disse: “Controle a mente e você controlará o mundo”. O Sábio Patañjali define o yoga como o controle das atividades (ou das ondas de pensamento) da mente e do intelecto (PYS 1.020). “O firme controle da mente e dos sentidos é conhecido como yoga (KaU 6.11). O controle da mente e dos sentidos é chamado de austeridade e yoga (MB 3.209.53). O propósito de toda a meditação é o de controlar a mente, e que se possa focar em Deus e viver de acordo com Suas instruções e vontade. A mente de um yogi está sob controle, e um yogi não está sob o controle da mente. A meditação é o controle sem esforço da natural tendência da mente para se desviar, e sintonizá-la com o Supremo. O yogi Bhajan disse: “Um único ponto, na mente relaxada, é a mais poderosa e criativa mente – podendo fazer qualquer coisa”.

Realmente, a mente é a causa do cativeiro como da liberação da entidade viva. A mente torna-se a causa do cativeiro quando é controlada pelos modos da natureza material; e a mesma mente, quando liga-se ao Supremo, torna-se a causa da salvação (Bp 3.2515). A mente, por si só, é a causa da salvação bem como do cativeiro dos seres humanos. A mente torna-se a causa do cativeiro quando é controlada pelos objetos dos sentidos, e torna-se a causa da salvação quando é controlada pelo intelecto (VP 6.0728). O absoluto controle, por sobre a mente e os sentidos, é o pré-requisito para qualquer prática espiritual de auto-realização. Aquele que não se torna o mestre dos sentidos não pode progredir através da meta da auto-realização. Portanto, após estabelecer o controle sobre as atividades da mente, se deve segurá-la longe dos prazeres sexuais, e fixá-la em Deus. Quando a mente desliga-se dos prazeres dos sentidos, e se liga em Deus, os impulsos dos sentidos tornam-se ineficazes, porque os sentidos recebem seu poder da mente. Aquele que se torna mestre da mente se torna mestre de todos os sentidos.

Aquele que possui o controle sobre o ser inferior – a mente e os sentidos – fica calmo no frio e no calor; no prazer e na dor; na honra e na desonra; e permanece sempre constante, com o Ser Supremo (6.07).

Pode-se realizar Deus somente quando a mente torna-se calma e completamente livre dos desejos, e das dualidades, tais como a dor e o prazer. De qualquer forma, as pessoas raramente são livres dos desejos e de dualidades. Mas alguém pode se tornar livre das amarras do desejo e da dualidade se os usa para o serviço do Senhor. Aqueles que são mestres de suas mentes recebem a riqueza espiritual do conhecimento e bem-aventurança. O Ser somente é realizado

quando o lago da mente torna-se sereno, do modo como o reflexo da lua é visto num lago quando a água está tranqüila. (veja 2.70);

Chama-se de yogi a pessoa que tanto possui auto-conhecimento como auto-realização; que é tranqüila; que possui controle sobre a mente e os sentidos, e para quem um montinho de terra, uma pedra e o ouro são a mesma coisa (6.08).

Considera-se uma pessoa superior quem é imparcial em relação aos companheiros, amigos, inimigos, pessoa neutra, árbitros, inimigos, parentes, santos e pecadores (6.09).

Tecnicas De Meditação

Um yogi, fixa-se num lugar ermo e solitário, e deve constantemente contemplar uma imagem mental, ou a magnificência do Ser Supremo, após trazer a mente e os sentidos sob controle, e tornando-se livre dos desejos e propriedades (6.10).

O lugar de meditação deve ter serenidade, ser solitário, e possuir uma atmosfera espiritual sem odores, ruídos ou luzes, na simplicidade de uma caverna do Himalaia. Prédios robustos e brilhantes, com imagens de mármore sofisticadas, não é o suficiente. Estes locais, com freqüência, em vez de espiritualidade, levam em conta somente o comércio religioso.

Os oito passos da meditação, baseados nos Yogasutras de Patañjali são (PYS 2.29): (1) conduta moral; (2) prática espiritual; (3) postura correta e exercícios de yoga; (4) respiração yóguica; (5) abstenção dos sentidos; (6) concentração; (7) meditação e (8) transe ou estado de superconsciência da mente.

Devemos seguir estes oito passos, um por um, sob própria guia, para progredirmos na meditação. O uso da respiração, e das técnicas de concentração, sem a necessária purificação da mente, e sem a sublimação dos sentimentos e desejos pela conduta moral e prática espiritual (veja 16.23), poderá conduzir ao danoso estado neurótico da mente. Patañjali disse: “A postura sentada para a meditação deve ser estável, relaxada, e confortável, individualmente, para o corpo físico (PYS 2.46).

A respiração yóguica não deve ser forçada – e freqüentemente causa dano – com a retenção da respiração nos pulmões, como equivocadamente é feita, e é uma prática inadequada. Patañjali define como sendo o controle do Prana – os bioimpulsos da força vital astral – o que causa o processo respiratório (PYS 2.49). É um processo gradual de trazer sob controle, ou diminuição de velocidade – pelo uso padrão das técnicas yóguicas, como as posturas do yoga, exercícios

respiratórios, represamento, e gestos – os bioimpulsos que ativam os nervos sensitivos e motores, que regulam a respiração, e sobre os quais normalmente não se têm controle. Quando corpo está sobrecarregado com o gigantesco reservatório da corrente cósmica onipresente, correndo pela coluna oblonga, a necessidade pela respiração é reduzida ou eliminada, e o yogi alcança o estado de transe típico, o marco último da jornada espiritual. Os Upanishads dizem: “nem um mortal vive eternamente pelo respirar apenas o oxigênio do ar. Os mortais dependem de outras coisas (KaU 5.05). Jesus disse: Não se vive só de pão (comida, água e ar), mas por toda a palavra (ou a energia cósmica) que sai da boca de Deus (Mateus. 4.04). O fio da respiração ata a entidade viva (alma) no complexo mente e corpo. Um yogi desata a alma do corpo e amarra-a com a superalma, durante o estado de transe respiratório.

A retirada dos sentidos é o maior obstáculo na realização da meta de um yogi. Quando os sentidos retiram-se completamente a concentração, a meditação, e o Samadhi, tornam-se muito fáceis de controlar. A mente deve ser controlada e treinada para ir atrás do intelecto, especialmente por se deixar atrair, e ser controlada, pelos sentidos grosseiros, como a audição, o tato, a visão, o paladar e a olfação. A mente é inquieta por natureza. Vigiando-se a corrente natural da respiração, que entra e que sai nos pulmões, e a respiração alternada, auxilia-se a mente a tornar-se estável.

As duas técnicas mais comuns da retirada dos sentidos são as seguintes: (1) focar com plena atenção num ponto entre as duas sobrancelhas (no entrecenho). Perceber e expandir uma esfera de luz branca rodando ali; (2) cantar mentalmente um mantra, ou qualquer santo nome do Senhor, o mais rapidamente possível, por um longo tempo, e deixando a mente completamente absorta dentro do som do canto mental, até que você não escute o tique-taque de um relógio próximo. A velocidade e o barulho do canto mental serão incrementados com a inquietação da mente, e vice e versa.

A concentração numa parte particular de uma deidade, sob o som de um mantra, sob a corrente da respiração, em vários centros energéticos do corpo, na região entre as sobrancelhas, sob a ponta do nariz, ou numa imaginária flor de lótus carmesim, no centro do peito, tranqüiliza a mente, e pára com seus desvios.

Deve-se sentar firmemente por sobre um assento, que não seja nem muito alto e nem muito baixo; coberto com grama, e com uma pele de cervo, e um tecido, um sobre o outro, num local limpo. Deve-se sentar nele numa posição confortável, e concentrar a mente em Deus; controlando os pensamentos e as atividades dos sentidos; deve-se praticar a meditação para purificar a mente e os sentidos (6.11-12).

Um yogi deve contemplar qualquer bela forma de Deus até que ela se torne presente em sua mente. Uma meditação curta, com plena concentração, é melhor do que uma longa meditação sem concentração. Fixando a mente num objeto simples de concentração por doze (12) segundos, dois e meio minutos (2,5), e meia hora, é conhecido como concentração,

meditação, e transe, respectivamente. Meditação e transe são resultados espontâneos da concentração. A meditação ocorre quando a mente pára de oscilar fora do ponto de concentração.

No estado inferior do transe, a mente torna-se, assim, centrada numa parte particular da deidade – como a face ou os pés – deste modo, esquecendo-se de tudo. Este estado é como um estado de sonho acordado, onde a mente, os pensamentos, e as coisas ao redor, permanecem na consciência. No estágio elevado de transe, o corpo torna-se ainda mais sem movimento, e a mente experimenta vários aspectos da verdade; a mente perde sua identidade individual e nos tornamos unos com a mente cósmica.

O estado de superconsciência da mente é o mais elevado estado de transe. Neste estado da mente, a consciência normal humana conecta-se com (ou é superada por) a consciência cósmica; se alcança o não-pensar, diminuição da pulsação, e suspensão do alento, não se sentindo qualquer coisa exceto paz, bem estar, e suprema bem-aventurança. No elevado estado de transe, o centro de energia (Chakra) no alto da cabeça abre-se, e a mente mergulha dentro do infinito; e aqui não há mais mente ou pensamento, mas apenas o sentimento da transcendental existência de Deus, consciência pura e bem-aventurança. A pessoa que alcança este estado é chamada de sábia.

Alcançar o estado de felicidade do transe é visto com dificuldades para a maioria das pessoas. Munijii nos dá um método simples. Ele diz: “quando você está imerso em Deus e o Seu reino flui através de você, você torna-se muito feliz, sempre alegre e feliz”.

Deve-se manter a cintura, a coluna, o peito, o pesco e a cabeça eretos, firmes e sem movimento; fixar os olhos e a mente firmemente na ponta do nariz, sem olhar ao redor; tornando a mente serena e sem medo; praticando o celibato; tendo a mente sob controle, pensando em Mim, e tendo a Mim como a meta Suprema (6.13-14). Veja, também, 4.29; 5.27. 8;10;12.

Hariharananda sugere manter a atenção num ponto localizado a 10 cm entre as duas sobrancelhas, próximo a glândula mestre, a pituitária. A Bíblia diz: “a lâmpada do corpo é o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado” (Mateus 6.22). Fixar a concentração na ponta do nariz é um gesto de Kriyayoga, recomendado por Swami Sivananda para despertar o Kundalini, a energia potencial localizada na base da coluna vertebral. Após uma pequena prática diária os olhos irão se acostumar, e levemente se convergerão, e vê-se os dois lados do nariz. Enquanto você se concentra na ponta do nariz, observe o movimento da respiração através das narinas. Após dez minutos, feche seus olhos e olhe o espaço escuro na testa (com os olhos fechados, interiormente). Se você ver uma luz, concentre-se nela, porque esta luz poderá absorver por completo a sua consciência e levar você ao transe, de acordo com as escrituras yóguicas. Os iniciantes podem, primeiramente, praticar fixando a contemplação entre as duas sobrancelhas, como mencionado no verso 5.27, ou no centro do peito, como aconselhado no verso 8.12, antes de experimentar fixar-se na concentração na ponta do nariz. A ajuda de um professor, e o uso de um mantra, são altamente recomendáveis.

O celibato é necessário para tranqüilizar a mente e despertar o Kundalini adormecido. Celibato e o exercício de respiração certa são necessários para limpeza do corpo sutil. O corpo sutil é alimentado pela energia seminal ou ovariana, assim como o corpo grosseiro necessita de alimento para alimentar-se. Sarada Ma previne aos seus discípulos para não se relacionarem com pessoas de gêneros opostos mesmo que Deus tenha feito desta forma. A regra do celibato, no Ocidente, na vida espiritual é negligenciada, porque não é tarefa fácil para a maioria das pessoas. O indivíduo deve escolher o companheiro de vida certo, para o sucesso da jornada espiritual, se a prática de celibato não é possível. É muito danoso forçar o celibato aos discípulos. As escrituras dizem:“Assim como um rei vence o inimigo invisível, protegido pelas muralhas do castelo, de modo semelhante, aquele que quer a vitória sobre a mente e os sentidos, deve tentar subjugá-los vivendo como um chefe de família (BP. 5.01.18). A sublimação dos impulsos sexuais antecede a iluminação (AV. 11.05.05). Um dos sentidos, apegado ao seu objeto, pode drenar a mente, do mesmo modo que um buraco num pote d´água pode esvaziá-lo (MS 2.99). Comete-se pecado pelo engajar os sentidos aos objetos dos sentidos, e obtém-se o poder yóguico pelo controle dos sentidos (MS 2.93). a transmutação da força vital da energia procriativa conduz ao yoga. Pode-se transcender ao sexo por contemplar a presença divina no corpo de todos os seres humanos e mentalmente reverenciá-lO.

Desta forma, pela prática de sempre manter a mente fixa em Mim, o yogi, cuja mente está subjugada, alcança a paz do Nirvana, e vem a Mim (6.15).

Este yoga não é possível, Ó Arjuna, para aquele que come muito, ou que não come de nenhuma maneira; que dorme muito, ou, também, muito pouco (6.16).

O yoga da meditação destrói toda a aflição, naqueles que são moderados no comer, na recreação, no trabalhando, tanto dormindo como acordados (6.17).

O Bhagavad-gita ensina que os extremos devem ser evitados a qualquer custo em todas as esferas da vida. Esta moderação do Gita é elogiada pelo Senhor Budda, que chamou-a de “Caminhodo Meio”, a reta via, ou o nobre caminho. Uma mente e corpo saudáveis são requeridos para o sucesso de uma realização de qualquer pratica espiritual. Portanto, requer-se que um yogi deva ser regulado na suas funções corpóreas diárias, como no ato de comer, dormir, banhar-se, descansar e na recreação. Aqueles que comem muito, ou pouco, podem tornar-se doentes ou fracos. Recomenda-se preencher o estômago pela metade com alimentos, outra quarta parte com água, e deixar o resto com ar. Se alguém dorme mais do que seis horas, a preguiça, a paixão e a bile podem aumentar. Um yogi deve evitar a gratificação extrema no controle dos desejos bem como a oposição extrema da disciplina, torturando o corpo e a mente.

Diz-se que uma pessoa alcançou o yoga, a união com o Ser, quando a sua mente, perfeitamente disciplinada, torna-se livre de todos os desejos e obtém completamente a união como Ser no transe (6.18).

Uma lâmpada num lugar protegido pelo Ser, do vento dos desejos, não tremula. Semelhante a isto é usado para subjugar a mente num yogi praticante da meditação no Ser (6.19).

O sinal da perfeição yóguica é de que a mente fica sempre despreocupada, tal como a chama de uma lamparina num lugar sem vento.

Quando a mente é disciplinada pela prática de meditação, torna-se firme e quieta; alguém torna-se contente com o Ser por contemplá-lO com o intelecto purificado (6.20).

O Ser está presente em todos seres vivos com o fogo está presente na madeira. A fricção faz o fogo tornar-se presente na madeira visível para os olhos; de modo semelhante, a meditação faz o Ser, que reside no corpo, perceptível (MB 12.210.42). Uma transformação psicofísica (ou estado de superconsciência) da mente em transe é necessária para à realização em Deus. Cada um de nós pode ter acesso à mente superconsciente, que não é limitada pelo tempo e pelo espaço.

O infinito não pode ser compreendido pela razão. A razão é incapaz de compreender a natureza dos princípios Absoluto. A mais elevada faculdade não é a razão mas a intuição, a compreensão do conhecimento que vem do Ser e não dos sentidos falíveis ou raciocínio. O Ser pode ser entendido somente pela experiência intuitiva, no mais elevado estado de transe, e não por outros meios. Yogananda disse: “a meditação pode aumentar o copo mágico da intuição para guardar o oceano de inteligência infinita.

Somente pela percepção inteligente, além do alcance dos sentidos, sentimos infinita bem-aventurança. Após percebermos a Realidade Absoluta, jamais se é separado dela (6.21).

Após a auto-realização não se estima qualquer outro ganho superior a ela. Uma vez estabelecidos na auto-realização, não se é comovido nem mesmo por grandes calamidades (6.22).

O estado de desligamento de união com o sofrimento é chamado de yoga. O yoga deve ser praticado com firme determinação, e sem qualquer reserva mental (6.23).

Alcança-se o yoga após longa, constante, e vigorosa prática de meditação com fé firme (PYS, 1.14).

Obtém-se gradualmente a tranqüilidade da mente pelo total abandono dos desejos egoístas; na restrição completa dos sentidos pela inteligência, e no manter a mente plenamente absorvida no Ser, por meio de um treinamento saudável, e de um intelecto purificado, não pensando em nada mais (6.24-25).

Quando a mente está liberta – com o auxílio das práticas espirituais – das impurezas da luxúria e ambição nascidas do sentimento de “Eu, para mim, e meu”, ela fica tranqüila na alegria e no sofrimento material (BP 3.25.16).

Sempre que esta inquieta e instável mente desviar-se durante a meditação, deve-se, neste momento, mantê-la sob o olhar vigilante (ou controle e supervisão) do Ser (6.26).

A mente joga e engana desviando-se e vagando no mundo da sensualidade. O praticante de meditação deve manter a mente fixa no Ser, pela permanente ponderação de que somos almas, e não o corpo. Deve-se ter o cuidado e rir-se das excursões da mente, e conduzi-la gentilmente de volta à supervisão do Ser. A tendência natural da mente é vagar. Nós conhecemos a experiência de que a mente é muito difícil de controlar. O controle da mente é uma tarefa impossível como o controlar do vento. A mente humana somente pode ser subjugada por uma prática sincera de meditação e desapego (Gita. 6.34-35). A maioria dos comentaristas, declaram que a mente ou o ser deve ser trazida de volta sob a supervisão do Ser quando ela inicia a desviar-se durante a meditação.

O Atma é considerado superior ao corpo, sentidos, mente, e o intelecto (Gita, 3.42). Desta forma nós podemos usar os na~uncios do Atman para subjugar a mente. Swami Vishas desenvolveu uma técnica de meditação baseada num sentido ligeiramente diferente, dado no verso 6.26, acima. Este método de meditação, baseia-se na teoria: “Nunca deixe a mente vagar sem supervisionamento”, sendo descrito a seguir: assuma a postura de meditação dada no verso 6.13. Ela é uma prática muito boa, antes de iniciar qualquer trabalho; evoque a graça de um deus

pessoal a sua escolha, que você acredita. O Senhor Ganesha, e o Guru devem também ser evocados pelos Hindus.

O principal objetivo da meditação, ou de qualquer prática espiritual, é para conseguir o afastamento do mundo externo e de suas atividades, e iniciar a jornada interna, tornando-se um introspectivo. Sempre manter em mente que você não é o corpo nem a mente, mas o Ser (Atma) que é separado se superior ao complexo mente-corpo. Desapegue-se do complexo mente-corpo e torne o seu Ser testemunha durante a meditação. Retire a sua mente do mundo exterior e fixe-se contemplando qualquer que seja um dos seus centros (glândula pituitária, o sexto chakra localizado entre as sobrancelhas, a ponta do nariz, o centro cardíaco, etc) onde você se sinta mais confortável. Observe as atividades da mente sem julgar – bem ou mal – os pensamentos que chegam a mente. Apenas relaxe, passeie no banco de trás do veículo da mente, e vigie as excursões da mente no mundo do pensamento. A mente desvia-se por causa da sua natureza. Ela não fica quieta no começo. Não seja apressado, controle ou tente ocupar a mente em qualquer outra via, como pelo canto de um mantra, concentração em qualquer objeto ou pensamento.

Desapegue-se em si mesmo por completo de sua mente e vigia a brincadeira de Maya, a mente. Não esqueça que seu trabalho é ver seu ser inferior, a mente, com o Ser superior, o Atma. Não se apegue ou fascine pelas ondas de pensamento (Vritti) da mente; apenas contemple ou siga-os. Após série sincera prática, a mente irá diminuir a velocidade quando ela descobrir que está sendo constantemente vigiada e acompanhada. Não acrescente qualquer coisa no processo de vigiar o mundo interno do processo de pensamentos (Chitta-vritti). Lentamente, seu poder de concentração irá aumentar; a mente irá juntar-se como uma jornada interior como uma amiga (Gita, 6.05-06); e um estado de bem-aventurança irá irradiar-se ao redor de você. Você irá além do pensamento, para o mundo impensado do Nirvikalpa Samadhi. Prati]que isto mpor meia ou uma hora, pela manhã e pela tarde, ou qualquer outra hora conveniente, mas fixe-se, num tempo a sua escolha. O progresso dependerá de vários fatores diante do seu controle, mas persista sem adiar. Sempre finalize o processo de meditação com a vibração de AUM por três vezes e agradeça a Deus.

Quem E Um Yogi

A suprema bem-aventurança chega para um yogi auto-realizado cuja mente é calma, cujos desejos estão sob controle, e que está livre de faltas ou pecado (6.27).

Tal impoluto yogi, que possui a sua mente e o intelecto engajados no Ser, regozija-se na eterna bem-aventurança de estar em contato com o Ser (6.28).

YOGANANDA DISSE: na ausência de uma alegria interior, as pessoas tornam-se más. A meditação no bem aventurado Deus permeia-nos com bondade.

Um yogi, que está em união com o Ser Supremo, vê a cada ser com uma visão de igualdade, por causa da percepção da permanente onipresença do Ser Supremo (ou o Ser) em todos os seres, e todos permanecendo no Ser Supremo (6.29) Veja, também, 4.35 e 5.18.

A percepção da unidade do Ser em todos os seres é a elevada perfeição espiritual. O sábio Yajnavalkya disse: “Uma esposa não ama seu esposo por causa da satisfação dele ou dela. Ela ama a seu esposo porque ela sente a unidade da sua alma com a alma dele. Ela une-se a seu marido e se torna uma com ele (BrU 2.04-05). O fundamento védico do casamento é baseado nesta nobre e sólida rocha da cultura da alma, e é inquebrável. Tentar desenvolver qualquer relacionamento humano significativo, sem o firme entendimento das bases espirituais de que todos eles é como tentar regar as folhas de uma árvore do que a sua raiz.

Quando percebemos o Ser superior em todas as pessoas no seus próprios Ser Superior, então não há odeia e nem se ofende a ninguém (IsU 060). A paz eterna faz parte daqueles que percebem a existência de Deus dentro de todos, como espírito (KaU 5.13). deve-se amar aos outros, incluindo aos inimigos, porque todos são nosso próprio ser. “Amar os seus inimigos e rezar por aqueles que perseguem a você”, não é apenas um dos nobres ensinamentos da Bíblia, mas uma idéia elementar comum a todos os caminhos que levam a Deus. Quando se entende que o Ser dele ou dela está em todos, a quem se odiará ou castigará? Quebra-se o dente ao morder a língua. Quando não se percebe outra coisa que não o próprio Senhor permanente no universo inteiro, com quem se lutará? Deve-se não apenas amar as rosas, mas seus espinhos também.

Aquele que vê o Uno em tudo e tudo em Um, que o Uno em todos os lugares. O pleno entendimento nisto e a experiência da unidade da alma individual e a Superalma, é a mais elevada realização e a única meta do nascimento humano (BP. 6.16.63). na plenitude do desenvolvimento espiritual, encontra-se que o Senhor, que reside próprio coração, reside no coração de todos os outros: no rico, no pobre, nos Hindus, nos Muçulmanos, nos Cristãos, no perseguido, no perseguidor, no santo e no pecador. Portanto, odiar a uma única pessoa é odiar a si mesmo e a Ele. A concretização disto torna alguém um verdadeiro santo humilde. Aquele que realiza que a Superalma como sendo que a tudo penetra, e que não é outra, a não o seu próprio ser individual, despoja-se de todas as impurezas acumuladas através de várias reencarnações, alcançando a imortalidade e bem-aventurança.

Aquele que Me vê em Tudo, e vê tudo em Mim, não se desliga de Mim, e Eu não me desligo dele (6.30).

Krishna ratifica que: “Uma pessoa auto-realizada vê a Mim no universo inteiro, e em si mesmo, e vê o universo inteiro e a si mesmo em Mim. Quando se vê que Eu a tudo impregno, assim como o fogo consome a madeira, imediatamente se fica livre da ilusão. Obtêm-se a salvação quando vemos a nós mesmos como diferentes do corpo e da mente, e dos modos da natureza material, e estes como não sendo diferentes de Mim (BP. 3.09.31-33). O sábio percebe a seu próprio Ser superior presente no universo inteiro, e o universo inteiro presente no seu próprio Ser superior. Os verdadeiros devotos jamais temem qualquer condição da vida, como a reencarnação, viver no paraíso ou no inferno, porque eles vêem a Deus em todo o lugar (BP 6.17.28). Se você quer ver, lembrar-se e estar com Deus todo o tempo, então você deverá praticar e estudar para ver Deus em tudo e em toda a parte.

O não-dualista, que Me adora como permanente em todos os seres, permanece em Mim, independentemente do modo de dele viver (6.31).

O melhor dos yogis é aquele que observa cada ser como a si mesmo e que pode sentir a dor e o prazer dos outros como sendo seus, Ó Arjuna (6.32).

Deve-se considerar todas as criaturas como sendo nossos filhos (7.14.09). Esta é uma das qualidades de um verdadeiro devoto. Os sábios consideram todas as mulheres como sua mãe; outros, um montinho de terra como riqueza, e todos os seres como seu próprio ser. Rara é a pessoa cujo o coração se enternece pelo ardor da tristeza dos outros, e que se regozija ao escutar o mérito dos outros.

Dois Métodos Para Controlar A Mente Impaciente

Arjuna Disse: Ó Krishna, Você disse que o yoga da meditação caracteriza-se pela tranqüilidade da mente, mas devido a inquietação da mente eu não vejo como estabilizá-la. Porque a mente, realmente, é muito instável, turbulenta, poderosa e obstinada, Ó Krishna, eu penso que controlar a mente é mais difícil do que controlar o vento (6.33-34).

O Senhor Krishna disse: sem dúvida, Ó Arjuna, a mente é impaciente e difícil de controlar, mas ela é subjugada pela constante e vigorosa prática espiritual de alguém – como a meditação – com perseverança e por desapego, Ó Arjuna (6.35).

O desapego é proporcional al entendimento da inconsistência do mundo, e de seus objetos (MB 12.174.040). contemplação sem desapego é como uma jóia sobre um corpo sem roupas (TR 2.177.020).

O Yoga é difícil para aquele cuja mente não é controlada. De qualquer modo, o yoga é atingido pela pessoa com a mente controlada, que se esforça por seus próprios meios ((6.36).

O Destino De Um Yogi Fracassado

Arjuna disse: qual é o destino do fiel que se desvia do caminho da meditação e da fé, necessário para alcançar a perfeição yóguica, devido a uma mente desenfreada, Ó Krishna? (6.37)

Eles não perecem como uma nuvem que se dissipa, Ó Krishna, perdendo-se tanto nos prazeres mundanos como do paraíso, privando-se do apoio, e afastando-se do caminho da auto-realização? (6.38).

Ó Krishna, somente Você está apto para dissipar por completo esta minha dúvida, porque não há outro como Você que possa dissipar semelhante dúvida (6.39). Veja, também, 15.15.

Arjuna fez uma boa pergunta. Porque a mente é muito difícil de ser controlada, e talvez não seja possível adquirir a perfeição durante o tempo de uma vida. Todo o esforço é desperdiçado? A resposta segue:

O Senhor Krishna disse: a prática espiritual realizada por um yogi nunca é desperdiçada, nem aqui ou no futuro. Um transcendentalista nunca é colocado para sofrer, Meu querido amigo (6.40).

O yogi sem sucesso nasce na casa de uma pessoa piedosa e próspera, após ter vivido por muitos anos nos planetas celestes. O yogi que muito fracassou muito não vai aos planetas celestiais, mas nasce numa família espiritualmente avançada. Um nascimento como este, realmente, é muito difícil de ser obtido neste mundo (6.41-42).

O yogi mal sucedido recupera o conhecimento adquirido numa vida anterior e novamente se esforça em adquirir a perfeição, Ó Arjuna (6.43).

O yogi fracassado é naturalmente levado em direção a Deus, pela virtude das impressões das práticas yóguicas das vidas anteriores. Mesmo o perguntar sobre yoga – união com Deus – sobrepuja aos que realizam rituais védicos (6.44).

O yogi, que diligentemente se esforça, torna-se completamente livre de todas as imperfeições, após tornar-se gradualmente perfeito, através de muitas reincarnações, alcançando a Morada Suprema (6.45).

Deve-se ser muito cuidadoso na vida espiritual; há a possibilidade de sermos fascinados pelo poderoso sopro das más associações criadas por Maya, e talvez se abandone o caminho espiritual. Jamais devemos desencorajar-nos. O yogi fracassado recebe outra chance para começar novamente onde ele parou. A jornada espiritual é longa e lenta, mas nenhum esforço sincero será desperdiçado. Normalmente pega-se muitos, muitos nascimentos, para alcançar a perfeição da salvação. Todas as entidades vivas (almas) são eventualmente redimidas após elas alcançarem o zênite da evolução espiritual.

Quem É O Melhor Yogi

O yogi é superior ao asceta. O yogi é superior ao acadêmico védico. O yogi é superior aos ritualistas. Portanto, ó Arjuna, seja um yogi. (6.46).

E Eu considero o yogi-devoto – que de todo o coração Me contempla com fé suprema, e cuja a mente está sempre absorta em Mim – como sendo o melhor de todos os yogis (6.47). Veja, também, 12.02 e 18.66).

A meditação ou qualquer outra ação torna-se mais poderosa e eficiente se é feita com conhecimento, fé e devoção a Deus. Meditação é uma condição necessária mas não uma condição suficiente para o progresso espiritual. A mente deve estar sempre absorta em pensamentos de Deus. O temperamento meditativo é para ser contínuo durante outras vezes, através do estudo das escrituras, auto-análise, e serviço. Diz-se que não há um único yoga completo, sem a presença de outros yogas. Do modo como a correta combinação de todos os ingredientes é essencial para preparar uma boa refeição, de modo semelhante, o serviço sem egoísmo, cantando os Santos Nomes do Senhor, a meditação, o estudo das escrituras, a contemplação, e o amor devocional são essenciais para alcançar a meta suprema. Alguns buscadores preferem apenas fixar-se num só caminho. Eles tentam todos outros maiores caminhos e vêem se uma combinação é melhor para eles ou não. Qualquer caminho pode tornar-se o caminho certo se nos rendermos completamente a Deus. A pessoa que metida com profundo amor devocional a Deus é chamado de yogi-devoto, e é considerado o melhor de todos os yogis.

Antes de alguém purificar a sua psique por um mantra ou meditação deverá alcançar o nível, segundo o qual, o sistema da consciência torna-se sensível a um mantra. Isto significa que os desejos mundanos deverão ser primeiro eliminados – ou satisfeitos – pelo desapego, devendo-se praticar os primeiros quatro passos dos Yogasutras de Patañjali. Isto é como lapidar uma jóia, antes de colocar-lhe ouro.